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23/06/2010
Polícia Federal mira crime bancário na web
Diário de S. Paulo
A Polícia Federal promete fechar o cerco contra fraudes bancárias na internet e com cartões de crédito e reduzir transtornos aos consumidores e o prejuízo dos bancos com os crimes no meio virtual que, em 2009, superou R$ 500 milhões no país.
Um acordo que será assinado entre a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a PF vai facilitar a troca de informações e permitir que a investigação tenha uma visão ampla do fluxo ilegal do dinheiro.
Em vigor desde março na Caixa, a parceria será expandida para mais cinco bancos — Bradesco, Itaú/Unibanco, Banco do Brasil, Banco de Brasília e Banco da Amazônia. Em seguida, outras entidades vão aderir.
“O protocolo não vai só agilizar a entrega das informações à PF, que muitas vezes demora e é por meio judicial, mas também diminuir a sensação de impunidade nos crimes virtuais. O fraudador acredita que nunca vai ser descoberto. E, se for descoberto, acha que dificilmente será investigado, condenado e preso. Queremos mudar isso”, diz o diretor da comissão de segurança na internet da Febraban, Cesar Faustino.
Para o delegado nacional de repressão a crimes cibernéticos, Carlos Eduardo Sobral, “a médio prazo, pode haver queda nas fraudes” e aumento de prisões.
“Hoje, a PF só possui a base de dados (de crimes virtuais) da Caixa. Mas não há quadrilha especializada no banco A ou B. Por isso, agregar informações vai nos permitir fazer um mapeamento das estatísticas e dos grupos que agem em todo o país.”
No ano passado, as fraudes na web cresceram 112% no Brasil. São pessoas que acessam a conta corrente pela rede mundial de computadores e que, em um momento de distração, deixaram um programa “espião” se instalar no computador dos consumidores, capturar dados bancários e desviar dinheiro. Desde 2006, 1.044 criminosos envolvidos em golpes virtuais foram presos.
“Hoje, a Polícia Civil de cada cidade e cada estado investiga um caso separado quando o cliente registra a ocorrência. O acordo com a PF vai permitir a apuração em âmbito nacional”, diz o diretor técnico da Febraban Wilson Gutierrez.
Isso porque um criminoso pode estar no Pará e, pela internet, fazer o desvio de uma correntista do Rio Grande do Sul. Com a análise ampla dos casos, a PF poderá identificar quadrilhas que agem em todo o país, rastrear e recuperar o dinheiro.
Bandidos usam e-mail como isca
Em maio de 2009, a PF prendeu 50 pessoas em 12 estados brasileiros acusadas de integrar uma quadrilha nacional de clonagem de cartões bancários e desvio de dinheiro de contas na internet. A operação Trilha, como foi denominada, tinha como objetivo cumprir 120 mandados de prisão preventiva, 19 mandados de prisão temporária e 136 mandados de busca e apreensão.
Hoje, segundo o delegado nacional de repressão a crimes cibernéticos, Carlos Sobral, a PF tem várias investigações em andamento.
Os presos usavam e-mails falsos para disseminar programas para captura de senhas bancárias, os “espiões”. “Quando você recebe um e-mail que diz ‘clique aqui para ver fotos exclusivas do acidente tal’, por trás do link há um programa que se armazena no computador para pegar sua senha e outras informações de segurança e, quando você acessa sua conta, manda os dados para a quadrilha”, explica o delegado. A própria PF já foi vítima de estelionatários que enviam e-mails falsos afirmando que o usuário está sendo investigado. |
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